sábado, 7 de novembro de 2009

A senhorita do aeroporto na província dos caranguejos

A república dos paletós intocáveis tem sido farta em casos de “racismo” desde que a escravidão foi generosamente abolida pela princesa Isabel.
Acho que me expressei mal ao leitor nas linhas anteriores, pois a nação de que vos falo não tem sido farta em casos de racismo, pois foi essa nação construída sobre os alicerces dessa grande instituição.
Mas quero avisar ao leitor que o texto acima deve ser considerado um breve prefácio, pois quero vos contar um estranho acontecimento da república dos paletós intocáveis, uma sociedade ideal, na qual encontrei grandes semelhanças com aquela descrita por Thomas Morus em a utopia.
O caso ocorreu na província dos caranguejos e se passou da seguinte forma: uma mulher de classe média e nem preciso vos dizer que era loira , bela e de lindos cabelos corrediços chegou ao aeroporto e descobriu que seu vôo tinha partido antes da sua ilustre e majestosa chegada .
Sabeis que as pessoas de classe média são feitos de uma substância especial e conhecem todas os detalhes da rica arte da etiqueta, sabem de que lado do prato deve ser colocado o garfo e a faca , como se deve levar a taça de vinho à boca e tantas outras coisas sem as quais a civilitè humana deixaria de existir .
Mas a digníssima senhorita do aeroporto nos desapontou e mostrou que a esmerada educação que recebeu freqüentando as aristocráticas escolas da pequena província dos caranguejos foi insuficiente para conter seus instintos mais primitivos. Ao gritar “seu nego” a nobilíssima senhorita do aeroporto não exprimiu apenas seu sentimento de raiva, ela assumiu o que todos os habitantes da república dos paletós intocáveis procuram educadamente esconder e devíamos dedicar pelos menos cinco minutos de aplausos por essa grande amostra de sinceridade!
O leitor da república dos paletós intocáveis certamente ficará atabalhoado diante desse acontecimento que acabei de vos contar, pois ele tem plena certeza que vive numa sociedade exemplarmente democrática, onde diferentes culturas convivem pacificamente...
A sociedade de “bugres” massacrados, “negos” escravos e brancos nas gordas sinecuras do estado! ... Eis ai uma democracia exemplar!

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