Mastigava o meu sórdido e industrializado jantar quando ao ligar a televisão me deparei com uma imagem espantadora: um homem que envergava apenas uma surrada tanga manuseava dois gravetos, refestelei-me em minha cadeira e fixei olhos atentos na imagem, não podia acreditar naquilo! Um homem do século XXI tentava produzir fogo com dois singelos pedaços de madeira quais nossos ancestrais do paleolítico!
A televisão me informara que aquele homem era nosso contemporâneo e vivia no sul da áfrica e pertencia a uma tribo que é considerada um “museu vivo” pelos antropólogos...
Tomei a resolução de continuar assistindo àquele documentário dedicado a relatar o “estranho” modo de vida daquela tribo e vi coisas realmente espantosas aos olhos do homem ocidental, encarcerado no “calabouço do consumismo”, preocupado em comprar o novo objeto eletrônico que lhe é vomitado diariamente pelos veículos de comunicação... Ao observar aquele homem dito “primitivo ou pré-industrial” à busca de sua caça armado com arco e flecha, de pés no chão, usando suas próprias roupas, falando seu próprio dialeto, não pude conter o impulso de quebrar minha televisão, meu computador e tudo que indicasse resignação e conformidade com o promiscuo consumismo ocidental!Mas contive esse “nefasto” impulso e não quebrei nada, mas depois de algum tempo senti algo amargo na língua, olhei para a minha ordinária xícara made in china e percebi que já não havia sequer uma gota de café, então decidi buscar a causa daquele líquido que amargava em minha língua e toquei a minha face, dei-me conta que um líquido saia de meus olhos, constrangido, apressei-me a enxugar a face, não poderia ter dado semelhante amostra de fraqueza aos meus companheiros ocidentais!
domingo, 22 de novembro de 2009
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